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Crítica - Invasão à Casa Branca

Enquanto assistia Invasão à Casa Branca eu só conseguia pensar em definir o filme como “parece um daqueles trashs de ação  que o SBT passa sexta-feira à noite”, e foi esta a impressão que ficou assim que os créditos finais começaram a subir. Repleto de clichês, o filme sequer serve como entretenimento, uma vez que é possível prever tudo o que acontecerá nas próximas cenas baseando-se nos clichês do gênero, torando a experiência muito aborrecida.

No início do filme somos apresentados ao presidente Benjamin Asher (Aaron Eckhart) e sua família, que estão passando a véspera de Natal numa cabana. Tendo a segurança chefiada por Mike Banning (Gerar Butler), a família presidencial pega a estrada numa noite de forte nevasca. Após um acidente que resulta na morte da primeira dama, Mike é demitido. Meses mais tarde, o ex-segurança se vê novamente dentro da Casa Branca após terroristas norte-coreanos invadirem o local e fazerem do presidente seu refém.

O diretor Antoine Fuqua e sua dupla de roteiristas, Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt, parecem ter se esforçado muito para fazer tudo errado. O ataque norte-coreano chega a ser fantasioso em alguns momentos, há o velho Secretário da Defesa obtuso que só pensa em atacar (mesmo sendo óbvio que não dará certo), os seguranças que ficam parados enquanto esperam uma oportunidade de morrer, a traição de algum agente, e o romance desnecessário. Um show de clichês dos filmes de ação que dura quase duas horas.

Butler e Eckhart conseguem criar personagens que até soam convincentes através de suas atuações, embora o roteiro atrapalhe imensamente. Se num momento a direção se mostra competente ao mostrar o tédio de Mike enquanto trabalha num escritório, falha mais tarde ao fazer o protagonista dizer que tal ação não é do feitio do vilão, embora ele nunca antes tivesse sequer visto o sujeito. Eckhart cria um presidente carismático, que se a princípio parece dedicado à família, não colocando o trabalho em primeiro lugar, mais tarde se mostra incapaz de passar alguns minutos junto de seu filho antes do trabalho. Morgan Freeman, por sua vez, parece entediado durante todo o filme, uma vez que seu papel não lhe dá muito trabalho para executar.

Embalado sempre por uma trilha sonora exagerada que busca engrandecer a Casa Branca, pontuar mecanicamente as cenas de ação e comover nas cenas tristes, o filme ainda utiliza de artifícios enjoados como o da contagem regressiva, equipamentos que são mais lentos nas mãos dos terroristas (a Hydra mais parece um transformer quando utilizada pelos mocinhos), frases de efeito como “Não morri sem lutar” e, acredite se quiser, um terrorista Superman. Isso mesmo! Basta um dos terroristas mais procurados do mundo colocar seus óculos para entrar na Casa Branca pela porta da frente sem ser reconhecido, mesmo que o diretor faça questão de exibir um monitor que checa o rosto de todos que entram no local.

Deixando sempre clara a mensagem do terrorismo, comparando norte-coreanos aos muçulmanos de Bin Laden (você praticamente verá um avião se chocando contra o World Trade Center. Mesmo!), Invasão à Casa Branca ao mesmo acerta quando expõe a hipocrisia do presidente ao criticar um homem que se vende, quando foi isso que ele fez para chegar ao cargo que possui. Mas é claro que essa discussão nunca é aprofundada, e o que importa para os estadunidenses é um discurso barato do presidente e o hasteamento da bandeira dos Estados Unidos.

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